Preso em liberdade

Antes mesmo de criar o blog, esse assunto vivia martelando na minha mente. E o nome do post já retrata bem o tema: vício. Talvez um pouco polêmico pra alguns, pra outros um assunto já resolvido, e pra mim, simplesmente algo que precisa e deve ser conversado. Qualquer tipo de vício, seja fazendo alguma coisa “aparentemente boa” ou não, é uma prisão em meio à nossa liberdade. Um pouco confuso, talvez, mas até o final do texto pode ser que você concorde comigo.
Como vocês sabem, moro nos Estados Unidos, e aqui, uma coisa que sempre me encanta é a mudança das estações. Acho incrível isso de nevar até encher a rua e depois secar tudo pra vir as flores, tudo bem organizado, cada estação na sua hora. Diferentemente da minha cidade natal (Governador Valadares – MG), em que o verão insistia em fazer hora extra, e mesmo no inverno, fazia questão de mostrar quem era o boss hahaha.
Enfim, moro no apartamento que estou hoje há 1 ano, e claro, tenho vários vizinhos, que em grande maioria quase nunca vejo, devido a correria do dia-a-dia. Mas tenho um vizinho que vejo sempre. Um senhor, muito simpático e educado, que fica quase sempre do lado de fora do prédio, perto da porta, e acaba por receber quem chega com um sorriso. O problema é que ele não fica do lado de fora pra apreciar o dia, ou fazer uma caminhada. Na verdade, ele vive “aprisionado” mesmo ao ar livre, pois não consegue se livrar do cigarro. Não, não estou aqui pra falar dos malefícios do cigarro (mas bem que podia).
Faça calor, frio, muito frio, com neve ou ventania, ele sempre está lá, com uma devoção e tanto, visto que eu pra sair de casa no frio, coloco sempre umas 5 blusas e vou direto do apartamento pro carro, quase que correndo, e já o deixo ligado e quentinho. Depois saio do carro pro lugar de destino, que obviamente também está aquecido.
E foi então que numa dessas correrias até o carro ou de volta pra casa, vendo aquele senhor parado no frio pra fumar, que comecei não só a ver, mas enxergar e entender o vício como uma coisa aprisionante. É claro que todos sabemos que o vício destrói e prende, mas uma coisa é você olhar de fora e ver isso acontecendo com os outros, outra é você abrir os seus olhos pro problema e o encarar como algo que precisa ser mudado.
E se engana em achar que vícios se resumem a bebidas, drogas, sexo ou coisas que ao nosso ver já são péssimas. Vejamos o que diz o dicionario: “defeito pelo qual uma pessoa ou uma coisa se afasta do tipo considerado normal, ficando inapta a cumprir determinado fim ou a desempenhar certa função”; ou até mesmo: “dependência em relação ao consumo de determinada substância”. Feliz ou infelizmente, hoje não vemos pessoas dependentes somente de substâncias químicas. Mas dependência a alguma coisa nunca será algo bom, e precisamos saber até que ponto estamos caminhando cegamente pra um vício, sem nos podar devidamente.
Eu costumo me podar drasticamente com qualquer coisa quando vejo que o tempo que gasto com ela está extrapolando os limites. Na época que o jogo candy crush virou febre, eu passava horas jogando. Não direto, mas entre um intervalo e outro, lá estava eu tentando passar os amigos. Cheguei a ficar na frente de quase todos que tinham candy crush, até simplesmente deletar o aplicativo porque vi o tempo que ele estava me tomando. E faço isso sempre que percebo que estou parando muito pra dar atenção a alguma coisa (O problema é perceber né? kkk brincadeira, dá pra saber se você está realmente viciado em algo se você não consegue ficar atoa, sem querer fazer aquilo).

Ontem tivemos culto de doutrina, e meu pastor bateu bastante na tecla de prioridade. E concordo muito com o termo que ele usou: “Aquilo que damos maior prioridade, se torna nosso deus.” Até mesmo um jogo pode se tornar um deus, se não controlarmos o tempo que ficamos nele. E é por isso que não tem como servir a Deus e a outros deuses. Se priorizamos o lazer e cada vez menos nos ocupamos com coisas que realmente nos edificam, é impossivel conseguirmos caminhar na direcão certa rumo a uma vida separada do mundo.
Uma coisa é certa, todos nós temos consciência daquilo que nos prende, ou pelo menos chama nossa atenção. E cabe a nós mesmos, tomar a atitude de ir controlando o tempo. Assim como no post “Escravos do tempo?“, é essencial separarmos o tempo pra cada coisa!

One thought on “Preso em liberdade

  1. owwwww!!! I think that’s exactly what I need to hear or read, in this case! 😂😂😂 Amei! já quero ver os próximos! Kkkkk #ugogirl

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